domingo, 16 de dezembro de 2012

GRINSPUN, M. P. S. Z. (org.). Supervisão e orientação educacional: perspectivas de integração na escola. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
                                                     
                                            Leandro Freitas Pantoja[1]


O livro organizado pela professora doutora Mírian Grinspun é a materialização de debates e reflexões que erigiram-se a partir das experiências educacionais de supervisores e orientadores diante dos novos desafios e cenários emergentes no contexto escolar e principalmente no trabalho pedagógico deste profissional.

São cinco artigos que suscitam um diálogo comum: a reflexão acerca dos profissionais da educação que atuam na área da Orientação e Supervisão Educacional e o caráter integrativo de seu trabalho no âmbito das instituições escolares.

O texto que abre a coletânea de artigos, Começo... Tropeços... Recomeços da professora Rosy Rosalina Escapin, trata de sua trajetória profissional como docente/orientadora e do papel manifestado pelo educador no curso da história. São relatos consubstanciados a uma realidade sócio educacional específica do quadro histórico brasileiro a partir da década de 1950. Relembra os DECs (Distrito de Educação e Cultura) donde emanavam orientação e direcionamentos sobre listagens de conteúdos e mecanismos avaliativos, além da liberdade incondicional dos professores na opção pelos métodos didáticos e sua implicação no sucesso ou fracasso do aluno.

Importante destaque refere-se ao momento de atuação como orientadora no SOE (Serviço de Orientação Educacional) no Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Momento de aproximação e de contato permanente com as demandas do círculo educativo. Reuniões semanais, diálogos francos e ações integrativas e interativas foram meios de evidenciar a importância da orientação diante das necessidades da escola e de seus interlocutores: “suas ideias e opiniões sobre a escola, a vida, o mundo”.

Dentro deste contexto a reflexão teórica como possibilidade de intervenção pragmática é salutar. O discurso Habermasiano pautado no agir comunicativo é significativo quando da necessidade de uma comunicação consciente e ética entre os sujeitos que compõem a organização escolar. Esse parâmetro orienta, como observa a professora, a estruturação de trabalhos em grupo e sua relevância para a o fomento de seus atores. Sua reflexão é breve, porém sem imparcialidades, é objetiva e clara em seus enunciados. Leva-nos a compreender o quanto a escola necessita refletir.

A professora/orientadora Maria do Carmo Maccariello aborda a temática A construção coletiva da escola: consciência, representação e prática social. Sua reflexão parte dos condicionantes transformadores da sociedade globalizada atual e de seus reflexos diretos e imediatos na cúpula escolar. Mostra que a reconstrução da escola constitui-se num processo constante diante das circunstâncias históricas e que esta instituição jamais deve omitir-se diante dos fatos sociais concretos.

A autora menciona a constituição histórica da escola e sua invariável vinculação a determinações políticas e ideológicas que a muito desconsideram a suas reais necessidades. “[...] A educação pública tem sido historicamente direcionada pelos níveis decisórios de ensino e articulado com as diferentes políticas governamentais os quais em sua maioria, impõem diretrizes educacionais, normas e ‘pacotes’ pedagógicos a escola ignorando sua especificidade [...]”.

Sua reflexão se mostra relativamente profunda no contexto sócio histórico, político e econômico da sociedade. Sua articulação teórica caminha diante das representações sociais evidenciando que representações a escola tem e (re) produz. Diante de realidades em crises é necessário ouvir alunos e professores com suas expectativas e representações levando em conta seus níveis de consciência de maneira integrada com as diferentes instancias da sociedade civil.

Não desconsidera o projeto neoliberal em curso e sua influencia na redução da escola moderna e de seus sujeitos, condicionando ambos a um propósito meramente mercadológico, técnico e produtivo. É preciso resgatar a cidadania da escola.

Em O papel da Orientação Educacional a organizadora do livro, professora Grinspun procura analisar o trabalho da Orientação Educacional atualmente nas escolas levando em conta alguns aspectos como: a necessidade da orientação nas escolas no papel de mediação/articulação de diferentes campos do conhecimento e da sociedade; o aspecto da interdisciplinaridade dentro da escola buscando ajudar a instituição e especialmente todos os alunos da escola numa perspectiva de colaboração etc..

A autora abre seus encaminhamentos abordando os desafios da escola apontando a quanto a sociedade e a própria escola tornaram-se desafiadores aos seus agente que a compõem ativamente. Nesse sentido questiona-se dentro deste quadro de complexidades o sentido da orientação educacional. Por quê? Para que? A quem? Como e quando se orienta? Quem deve fazer orientação educacional na escola? É possível uma orientação educacional com pouco contato com os alunos? O professor pode fazer orientação educacional afinal ele também não se relaciona com o aluno?

Diante dos autoquestionamentos volta-se para o que considera o campo da orientação educacional afirmando que seu papel se “redimensionou” e sua concepção “engloba desde a questão epistemológica, filosófica, antropológica e social”. A sua vinculação com a realidade extra escolar é importante mas que o equilíbrio e a associação entre os dois polos é fundamental. A autora chama a atenção para os processos da globalização, as novas tecnologias e o contexto da sociedade pós-moderna e a orientação na dimensão dos valores,  identificando a questão ética como fundamental ao desenvolvimento do ser.

Elma Correa de Lima na discussão Refletindo politicas públicas e educação nos apresenta a vinculação/influência do projeto neoliberal para com a instituição de políticas públicas em educação no país. Observa a questão do currículo e da avaliação como estratégia nas mudanças da realidade educativa.
A autora atua profissionalmente como supervisora educacional e seu olhar incide também para os diversos tipos avaliativos estabelecidos pelas políticas governamentais então em voga, mencionando inclusive as orientações contidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Algumas indagações são vislumbradas: como a escola trabalha e realiza as politicas públicas no seu espaço.

A contribuição final da professora/orientadora Mary Rangel no texto Temas integradores da Supervisão Pedagógica, Orientação Educacional e a Comunidade escolar, reside em discutir uma proposta diferente com as categorias valorativas, conceitos e temas de ética, do meio ambiente e do dia-dia escolar primando pelo ato de contextualização a inter e transdisciplinaridade de conhecimentos e práticas.

Sistematicamente o conjunto de textos e temáticas girou em torno da importância da orientação e supervisão educacional na lógica de um trabalho integrado, cooperativo, solidário cujo objetivo é contribuir para a ampliação qualitativa da educação e do trabalho destes profissionais atuantes nas escolas brasileiras. A reflexão e o rever constante das práticas e do sentido do trabalho de orientação e supervisão são pontos considerados importantes, mas que devem ser um exercício constante e coletivo, pois a escola faz-se a partir de um Todo em colaboração.

  




[1] Acadêmico de Pedagogia da UEAP turma LPE 34.

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